por Blog do Fã
Fonte: Zero Hora/Rs
Na primeira turnê depois de acidente,o Capital Inicial vive agora um novo recomeço. A turnê do recém-lançado álbum Das Kapital é a primeira depois de o vocalista Dinho Ouro Preto quase perder os movimentos em consequência de uma queda sofrida em outubro.
O 12º disco de estúdio do Capital chegou às lojas no início de junho, coincidindo com o início da excursão – a estreia foi em São Paulo, no dia 12 daquele mês. Foi, ao mesmo tempo, o fim de um período em que a banda brasiliense passou pelo maior susto de seus 27 anos de trajetória. Um susto que começou nos últimos instantes de um show em Patos de Minas, interior mineiro, na noite de 31 de outubro – Dinho, 46 anos, estava caminhando de costas durante a performance, não percebeu que estava perto demais da beira do palco e levou um tombo de uma altura de quase três metros.

O saldo, para o vocalista, foram fraturas no crânio, em três costelas e em seis vértebras, uma delas no pescoço. Dinho ficou mais de um mês no hospital para se recuperar – boa parte desse tempo na UTI, devido a uma infecção generalizada contraída durante a internação. No início de dezembro, quando teve alta, não conseguia comer sozinho nem caminhar com plena autonomia. Mas o impacto mais forte foi emocional.
– Eu nunca tinha sido hospitalizado na vida. Aí fiquei 20 dias na UTI, com infecção generalizada – conta Dinho, por telefone. – Houve um desarranjo emocional. Eu me pegava chorando no hospital, do nada. Tinha alucinações. É como se reiniciasse o cérebro.
Com a fisioterapia, o cantor voltou a caminhar – “tipo dar a volta no quarteirão” – perto do Natal. Enquanto isso, as gravações de Das Kapital já estavam acontecendo. Como o acidente se deu quatro dias antes da data marcada para o trabalho no estúdio, o quarteto – completo por Yves Passarell (guitarra), Fê Lemos (bateria) e Flávio Lemos (baixo) – resolveu adiantar a parte instrumental.
Em fevereiro, Dinho foi para o estúdio gravar os vocais, mas percebeu que não tinha voz. Com a ajuda de uma fonoaudióloga, ele conseguiu gravar uma canção por dia – quando o normal, ele lembra, era gravar quatro ou cinco músicas em uma mesma sessão. Agora, ele se diz recuperado.
– Passei três meses tomando analgésicos a cada quatro horas – relatou, no último dia 16. – Hoje, corri sete quilômetros.
Ao explicar a escolha do título do novo disco – referência ao clássico O Capital, publicado por Karl Marx (1818 – 1883) na segunda metade do século 19 –, Dinho admite que trata-se de uma piada com o próprio nome da banda. A brincadeira ficou séria na capa do álbum, em que os integrantes aparecem em meio à correria da Bolsa de Valores. Na verdade, todas as pessoas em cena são os próprios músicos – e, em lugar de empresas, os gráficos mostram cotações de rock, sexo, amor e respeito, entre outros “novos valores”.
Uma inspiração, admite o vocalista, foram álbuns como Physical Graffiti (1975) e Presence (1976), do Led Zeppelin, em que as capas tinham conceitos próprios, independentes do conteúdo sonoro. No caso do Capital, o invólucro traz uma nova coleção de rocks, como Depois da Meia-Noite, Como se Sente e Marte em Capricórnio – além de Ressurreição, referência óbvia ao acidente que ainda repercute na cabeça do vocalista:
– Foi uma experiência transformadora. Todos nós temos a ilusão de que temos controle pela vida. Na verdade, é até certo ponto. Esquecemos o quanto tudo é efêmero.